Alisando o espanto sobre um artigo na renomada página Geledés Instituto da Mulher Negra (http://www.geledes.org.br/racismo-preconceito/racismo-no-brasil/22548-o-que-acontece-quando-a-direita-ganha-poder-no-meio-estudantil) pode-se chegar a algumas conclusões. O machismo é uma doença social. Em um primeiro olhar o artigo sugere que o machismo é um comportamento apenas de direita, apenas conservador. Mas será que é só isto mesmo? Os tempos são novos, e o atual machismo, herança de uma sociedade ainda conservadora, hoje pode muito bem começar a encontrar porto seguro na visão liberal. Como isso? A questão é que vivemos uma era de liberdade total no que diz respeito às opões pessoais e liberdade de expressão. Tecnicamente em uma sociedade ocidental não há regras (e concordo que não haja) para o indivíduo se posicionar nas suas opções, pensamentos. expressões e hábitos. Ele pode ser o que ele bem quiser e entender, desde que não agrida física e verbalmente ninguém e/ou não transgrida a lei. Isto é maravilhoso. O lado ainda a ser resolvido é o abuso que se faz da “lei” da liberdade (em geral há os que abusam de qualquer lei) e dentro desta liberdade há quem queira ser machista e há quem queira posar nua para um calendário. E aí? Vai proibir? Impossível, já que tecnicamente cada um pode pensar, falar e se apresentar para a sociedade com bem quiser. É o direito do indivíduo se expressar, este direito sagrado pelo qual todos nós tanto lutamos. São anomalias de uma liberdade que ainda não sabemos compreender e nem viver em toda a sua plenitude saudável e em toda a sua consciência social. Nós que entendemos a liberdade como fundamental não devemos nos espantar com os conservadores, afinal, segundo nossa própria proposta, eles têm a liberdade de se expressarem em todas as formas, e isto inclui poderem se expressar como conservadores. Parece paradoxal ou até mesmo provocador, mas não é. Qualquer tentativa de proibir o outro de se expressar com ele acha que deva, é sair do discurso da liberdade e entrar no do autoritarismo. Então está claro que apenas a liberdade não vai resolver todas as questões. É aquele velho clichê que diz que o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Mas se a liberdade pura e simplesmente não vai resolver todas as nossas questões, então o que mais seria necessário para resolver? Alguém arrisca?
*Este Artigo é de Sergio Luiz Rineiro, presidente estadual do PMA-RJ e está, originalmente, no blog http://sergioluizribeiro.blogspot.com.br/







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